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Adeus, Luiz Carlos da Vila!

Outubro 28, 2008

Gente (meia dúzia de leitores, meus amigos, certo?), desculpem pelo tempo que passei sem escrever por aqui. Mas andei atolada com trabalho, viajei no final de semana e acabei demorando mais do que gostaria para atualizar o blog. Na verdade, o assunto deste post já está na minha cabeça há dias.

Estava lendo o jornal, recheados de mortes sangrentas – Eloá, Artur Sendas, entre outros – quando me deparei com uma morte que realmente me tocou. Não foi um assassinato a sangue frio, nem um acidente fatal… Foi a morte, causada por um câncer no estômago, de um dos maiores sambistas do Brasil: Luiz Carlos da Vila.

Sobre o compositor, retirei um trecho publicado no site Samba-Choro, que explica um pouco a trajetória deste grande artista: “Luiz Carlos nasceu em 1949, no bairro de Ramos, no Rio de Janeiro onde, mais tarde, seria uma das figuras sempre presentes no já legendário bloco Cacique de Ramos, por onde também passaram outros grandes nomes do samba carioca. Em homenagem ao bloco compôs ‘Doce Refúgio’.
Em 1988 compôs, junto com Jonas e Rodolfo, o samba que levou a Vila Isabel à vitória: Kizomba (A Festa da Raça), sendo este um de seus sucessos mais populares, sempre lembrado nas rodas de samba.”

Para quem não conhece a emblemática figura de Luiz Carlos, vale a pena assistir a um dos diversos vídeos espalhados pelo Youtube cantando nos palcos brasileiros. Abaixo, escolhi um em que ele canta “O sonho não acabou”, que traduz um pouco de sua herança. Luiz Carlos se foi, mas o samba, a esperança, a alegria, o sorriso, o sonho… Isso ele deixou pra gente!

O sonho não acabou (Luiz Carlos da Vila)

A chama não se apagou
Nem se apagará
És luz de eterno fulgor
Candeia

O tempo que o samba viver
O sonho não vai acabar
E ninguém irá esquecer
Candeia

Todo tempo que o céu
Abrigar o encanto de uma lua cheia
E o pescador afirmar
Que ouviu o cantar da sereia
E as fortes ondas do mar
Sorrindo brincar com a areia
A chama não vai se apagar
Candeia
Onde houver uma crença
Uma gota de fé
Uma roda, uma aldeia
Um sorriso, um olhar
Que é um poema de fé
Sangue a correr nas veias
Um cantar à vontade
Outras coisas que a liberdade semeia
O sonho não vai acabar
Candeia

Eu “recomêindo”

Outubro 7, 2008

Sou suspeita pra falar, mas pra quem acha que não tem nada de bom nos canais de TV aberta no Brasil, segue a dica de um programa muito interessante pra quem gosta de música: o Som Brasil. Os homenageados são sempre pessoas bacanas (Ary Barroso, Edu Lobo, Ney Matogrosso, Erasmo Carlos) e os convidados são no mínimo inusitados.

Tirando um ou outro, o diretor Luiz Gleiser tem escolhido a dedo os músicos que vão interpretar as composições de cada programa. A maioria é desconhecida pelo grande público, embora sempre tenha um convidado “de peso” para garantir a audiência do Som Brasil.

Já passou pelo palco do programa gente legal como Roberta Sá, Casuarina, Ana Cañas, Mônica Salmaso, entre muitos outros. As interpretações costumam ser bem inspiradas e, muitas vezes, com arranjos diferentes, que não deixam nada a desejar em relação à versão original.

O mais legal é poder acompanhar os bastidores do programa em vídeos publicados antes mesmo que o especial vá ao ar: http://www.sombrasilnoelrosa.globolog.com.br/. Ok, quem produz o making of são duas grandes amigas, mas eu sou fã. É coisa fina, tá? Não deixe de conferir.

O nome do blog

Setembro 26, 2008

Certo dia (ou noite?) estava eu, com meu copinho de cerveja, ao lado dos amigos, requebrando e cantando um samba dos bons, daqueles que é impossível ouvir sem requebrar e cantar… Quando me dei conta de que o samba também tem um mantra. Vejam vocês: quase todo o samba (estou falando dos bons!) tem um trecho em que se entoam as palavras “laiá laiá”, sempre juntas, sempre essa dupla dinâmica. Lai-á, lai-á… Não sei se a divisão de sílabas é essa, mas a divisão rítmica com certeza é. E podemos repetir o mantra várias vezes seguidas, até cansar e voltar para os versos da canção.

Está discordando? Então vamos lembrar alguns sambas bem conhecidos e refrescaremos sua memória: “Foi um rio que passou em minha vida”, samba composto por Paulinho da Viola em 1969. O engraçado é que, segundo o próprio Paulinho, o “laiá laiá” não era original da música. Foi gravado por alguém que inventou essa bossa, e acabou sendo incorporada pelo público, que sempre entoava o mantra quando a música terminava, obrigando o Paulinho a cantar também.

Outro “laiá laiá” famoso: “Quem te viu, quem te vê”, de Chico Buarque. Quem pode omitir o mantra entre os versos “Hoje o samba saiu” e “Procurando você”?! Eu não me atrevo!

Enfim, a essa altura você já deve ter se lembrado de um monte de “laiá laiás” e não consegue mais parar de cantar. Vá perguntar a seus amigos. Eles com certeza se lembrarão de outros tantos e a brincadeira não tem mais fim. A moral da história é: 1- O samba é mesmo democrático, qualquer um pode cantar, mesmo sem saber a letra. 2- Samba também é meditação. Em momentos de estresse, quando alguém estiver te incomodando, feche os olhos e entoe um animado “laiá laiá”. Ou vão te considerar maluco, ou vão sambar com você. Porque tem aquela velha história: “Quem não gosta de samba, bom sujeito não é… É ruim da cabeça, ou doente do pé!”.