Posts de Setembro, 2008

Dublagens e perucas

Setembro 29, 2008

Que o cinema brasileiro está cada dia melhor, não resta dúvida. Não vou encher com aquele papo de “retomada” depois de Carlota Joaquina, Central do Brasil e blá, blá, blá… Mas se as produções estão tão bacanas, como deixam passar detalhes tão estapafúrdios como a dublagem de Selton Mello dando voz a Arthur Kohl? Pra quem ainda não viu: Selton Mello interpreta o personagem Dico jovem e Arthur Kohl é o Dico mais velho. Só que toda vez que o Dico velho abre a boca, ouvimos a voz do Selton! E o que é pior: os outros atores que fazem papel de personagens mais velhos (Antônio Pedro, Antônio Pedro e Augusto Madeira) não são dublados pelos atores que fazem os personagens jovens (Ângelo Paes Leme, André Moraes e Jair Oliveira). Só o Arthur.

  

A impressão que tive ao ver as cenas foi de estar assistindo àquele quadro do Hermes e Renato, quando os filmes antigos ganham umas dublagens toscas, sabe? Dava vontade de rir. Por que eles fizeram aquilo? Se alguém souber, por favor, escreva aqui.

Por último, eu não poderia deixar de citar a peruca da Cláudia Abreu, que interpreta a cantora Glória. Uó! Não dava pra cortar o cabelo da atriz? Ou fazer com o cabelo dela mesmo? Achei muito ruim…

Mas não me critiquem por estes comentários ácidos. No geral, o filme é bem legal e diverte. Vale assistir.

O nome do blog

Setembro 26, 2008

Certo dia (ou noite?) estava eu, com meu copinho de cerveja, ao lado dos amigos, requebrando e cantando um samba dos bons, daqueles que é impossível ouvir sem requebrar e cantar… Quando me dei conta de que o samba também tem um mantra. Vejam vocês: quase todo o samba (estou falando dos bons!) tem um trecho em que se entoam as palavras “laiá laiá”, sempre juntas, sempre essa dupla dinâmica. Lai-á, lai-á… Não sei se a divisão de sílabas é essa, mas a divisão rítmica com certeza é. E podemos repetir o mantra várias vezes seguidas, até cansar e voltar para os versos da canção.

Está discordando? Então vamos lembrar alguns sambas bem conhecidos e refrescaremos sua memória: “Foi um rio que passou em minha vida”, samba composto por Paulinho da Viola em 1969. O engraçado é que, segundo o próprio Paulinho, o “laiá laiá” não era original da música. Foi gravado por alguém que inventou essa bossa, e acabou sendo incorporada pelo público, que sempre entoava o mantra quando a música terminava, obrigando o Paulinho a cantar também.

Outro “laiá laiá” famoso: “Quem te viu, quem te vê”, de Chico Buarque. Quem pode omitir o mantra entre os versos “Hoje o samba saiu” e “Procurando você”?! Eu não me atrevo!

Enfim, a essa altura você já deve ter se lembrado de um monte de “laiá laiás” e não consegue mais parar de cantar. Vá perguntar a seus amigos. Eles com certeza se lembrarão de outros tantos e a brincadeira não tem mais fim. A moral da história é: 1- O samba é mesmo democrático, qualquer um pode cantar, mesmo sem saber a letra. 2- Samba também é meditação. Em momentos de estresse, quando alguém estiver te incomodando, feche os olhos e entoe um animado “laiá laiá”. Ou vão te considerar maluco, ou vão sambar com você. Porque tem aquela velha história: “Quem não gosta de samba, bom sujeito não é… É ruim da cabeça, ou doente do pé!”.